quarta-feira, 27 de abril de 2016

Caminho de volta!


Até o ano passado eu ainda estava indo
Indo morar no apartamento mais alto do prédio mais alto do bairro mais nobre. Indo comprar o carro do ano, a bolsa de marca, a roupa da moda.
Claro que para isso, durante o caminho de ida, eu fazia hora extra, fazia serão, fazia dos fins de semana eternas segundas-feiras. Até que um dia, meu filho quase chamou a babá de mãe!
Mas, com quase quarenta, eu estava chegando lá. Onde mesmo? No que ninguém conseguiu responder, eu imaginei que quando chegasse lá ia ter uma placa com a palavra “fim”. Antes dela, avistei a placa de “retorno” e nela mesmo dei meia volta.
Comprei uma casa no campo (maneira chique de falar, mas ela é no meio do mato mesmo). É longe que só a gota serena. Longe do prédio mais alto, do bairro mais chique, do carro mais novo, da hora extra, da babá quase mãe
Agora tenho menos dinheiro e mais filho. Menos marca e mais tempo.
E não é que meus pais (que quando eu morava no bairro nobre me visitaram quatro vezes em quatro anos), agora vêm pra cá todo fim de semana? E meu filho anda de bicicleta, eu rego as plantas e meu marido descobriu que gosta de cozinhar (principalmente quando os ingredientes vêm da horta que ele mesmo plantou).
Por aqui, quando chove, a Internet não chega. Fico torcendo que chova, porque é quando meu filho, espontaneamente (por falta do que fazer mesmo) abre um livro e, pasmem, lê. E no que alguém diz “a internet voltou!” já é tarde demais porque o livro já está melhor que o Facebook, o Twitter  juntos.
Aqui se chama “aldeia” é tal qual uma aldeia indígena, vira e mexe eu faço a dança da chuva, o chá com a planta, a rede de cama. No São João, assamos milho na fogueira. Aos domingos, converso com os vizinhos. Nas segundas, vou trabalhar, contando as horas para voltar.
Aí eu me lembro da placa “retorno” e acho que nela deveria ter um subtítulo que diz assim: “retorno – última chance de você salvar sua vida!” Você provavelmente ainda está indo. Não é culpa sua. É culpa do comercial que disse: “Compre um e leve dois”. Nós, da banda de cá, esperamos sua visita. Porque sim, mais dia menos dia, você também vai querer fazer o caminho de volta!
(Téta Barbosa!

ABRAÇOS!

8 comentários:

  1. Que texto maravilhoso e há pessoas que não se dão conta e só pensam em IR, AVANÇAR, quando esquecem então as delícias do retornar... ADOREI! Bom te ver ativando esse lindo blog novamente!


    beijos, tudo de bom,chica

    ResponderExcluir
  2. Que texto maravilhoso Lena! Gosto de tudo que existe no final "caminho de volta"!
    E novamente esse cheirinho de alecrim no ar... adorei!
    Bjus amiga!

    ResponderExcluir
  3. Lena...um retorno feliz...numa descrição inteligente e excelente!
    Bj amigo e "retorne" sempre!

    ResponderExcluir
  4. E você conseguiu viver no sonho. Nesta corrida para alcançar a tal da felicidade a gente esquece que Deus sempre sabe o que é melhor para a nossa vida. E entrega nas nossas mãos.

    ResponderExcluir
  5. Que texto maravilhoso. .Eu me vi nele.Assim vivo. A vila que moro tem 9 mil moradores.Vivo no centro da vila e no meu quintal vejo as vaquinhas, pois tem uma fazenda de gado .Do meu jardim (quintal )vejo meu João a brincar na escola, pois a escola dele é ao lado da minha casa.Eu n tenho carro, faço tudo de bicicleta. Eu planto,planto...e colho muito.Ah..se todos soubessem que a felicidade está nesta simplicidade ♡

    ResponderExcluir
  6. Beautiful small house and a wonderful colorful garden !
    Greetings

    ResponderExcluir
  7. Beautiful small house and a wonderful colorful garden !
    Greetings

    ResponderExcluir
  8. Olá amiga, passei por aqui para desejar-lhe uma
    abençoada semana.
    Um lindo e divertido retorno!!!
    Doce abraço, Marie.

    ResponderExcluir

Fico feliz que estejas aqui a comentar!